terça-feira, 5 de maio de 2009

POESIAS DE CECÍLIA VILLANOVA





CANTO DE AMOR AO POEMA

Mas, não emudecerão
Meus pensamentos
Nem secará a tinta de sangue
Que goteja de minhas mãos.
O poema , em mim, inunda
Tal qual um rio
Feito de de lágrimas,
Águas claras...
De onde emerge vida.




REFLEXO

Quando as minhas mãos
Deixarem de ser acesas...
Serei mais que luz.
Estarei presentemente
Dentro dos teus olhos.
E aí me servirás de espelho.
E eu me verei
E tu te verás:
nos meus olhos
e nos teus olhos...




O PAPEL

Olhei-o de uma só vez,
Lá estava ele, branquinho...
Atirei-lhe os sentimentos,
Tornei-o vivo.
Já não era vazio.
Enchia-me os olhos-
Lá estava o pensamento.
Seu papel, seu destino,
Fôra para sempre destinado
Com um poema carimbado.




... o vento varria tudo:
varria o medo
varria meus pensamentos
e até o que eu não sabia
varria a solidão
com seus músculos sólidos
varria o tempo
varria a chuva
levando embora
algumas folhas de nossas vidas...


A VOZ DO POETA

Nós, poetas, somos instrumento
Para o povo.
Assim como todos os dias
O sol se faz necessário,
Também é a voz do poeta.
Que, silenciosa, arrebata do peito
Em forma de revolução
E sai transfigurada no papel.


DOS ÓRGÃOS DEPENDENTES

Sentimentos...
Não os sei passar para o papel?
Parecem que vão explodir
Da cabeça ao coração,
Do coração à garganta,
Da garganta à língua__
Farta , fértil ,frágil e singular.



TEMPO

Como numa batalha avassaladora
Não tive medo.
Fui encontrar-me com o espelho.
Pensava que o espelho fosse
Baralho cigano.
Mas de cigano, só a minha vida...
É . O espelho não mente;
Ele mostra a nossa cara
Pra cara da gente.
Mostrou-me às horas
Que ficaram para trás
E que estavam estampadas
Nas rugas do meu rosto.