sexta-feira, 18 de maio de 2012

CECÍLIA VILLANOVA: UM ARMAZÉM POÉTICO


Os 20 poemas presentes no livro Armazém Poético de Cecília Villanova ( Livro Rápido, 2003, 63p.), dividido em três partes: Acerca do poeta e do poema; outros poemas e em memória. Traduz de certa maneira um poemático com “ a contenção lírica ( tão incomum às vozes femininas ) e sobretudo, muitas vezes, a reflexão ( poética ) metalingüística fazem a voz distintíssima de Cecília Villanova, uma poeta em franca madureza” – Francisco Espinhara. Sem querer fazer nenhuma contrapartida.

Na primeira parte do livro, acerca do poeta e do poema, Cecília Villanova reflete o duelo entre o sentimento e a razão, e usa a metalinguagem, ao falar do processo de criação do poema e dos elementos do poeta no próprio poema. Como já o fizeram tão bem, João Cabral de Melo Neto e Geraldino Brasil. Fontes em que pouco ou nunca bebeu – mera coincidência, fato inexplicável, ou melhor, coisa de poeta.

Ela nos presenteia neste capítulo, no poema “Dos órgãos dependentes” a imagem da suficiência e, às vezes, o interdizer da língua portuguesa e de qualquer outra língua, de expressar a cogitação com plenitude e aos sentimentos mais universais do poeta. Ao escrever: Sentimentos.../ não os sei passar para o papel?/ parece que vão explodir/ da cabeça ao coração,/ do coração à garganta,/ da garganta à língua - / farta, fértil, frágil e singular.

Em “O papel”, no trecho: olhei-o de uma só vez/ e lá estava ele, branquinho.../ atirei-lhe, então, os sentimentos/ e tornei-o vivo./ já não era vazio. Cecília Villanova neste raro momento nos mostra o lirismo ao ver o intrínseco, o melhor, de que ao papel compete um poema.

Nos poemas “Gestação I” e “Gestação II” sente de forma incisa e indagativa feito uma mãe, na certeza e incerteza da gravidez e de parir ou não o rebento-poema para o mundo. Ao nos passar estes versos: Esperar que as letras/ se cruzem no pensamento/ e se formulem palavras concretas/ é o que neste momento espero./ Mas, como sinto, logo não exaspero.// Adormece em mim um poema./ Ele está mais vivo aqui dentro/ que no papel frio creio./ Será necessário amadurecê-lo/ e tê-lo?

Por saber que o processo de criação do poema não deixa o poeta incólume. A poeta compõe os versos: - Um poeta escreve/ e rasga seus sentimentos. In Auto flagelo.

Em OUTROS POEMAS, ela usa propriamente a linguagem para temáticas diversas, universais e eus poéticos.

Usa, por exemplo, o eu poético de uma pessoa idosa, sagaz e resignada, ao compor os versos no poema “Tempo”, neste trecho: É; O espelho não mente,/ ele mostra nossa cara/ pra cara da gente./Mostrou-me as horas/ que ficaram pra trás/ e que estavam estampadas/ nas rugas do meu rosto.

Há intertextualidade ou similitude em “A esmo”, nos versos: Lá sentir-me nuvem - / doce algodão/ a deslizar no céu/ e só passar, passar, passar.../ . Com Charles Baudelaire. E em “vida”, nos versos: Estamos sempre em movimento./ em que cita, de modo científico e filosófico, Einstein. E belamente, completa: Logicamente, eis aí a vida.

Mostra o lado intrépido da juventude, quando arrisca resolver um dos problema que aflinge o ser humano, que é a dúvida. Soluciona ela: Dúvidas.../ O que fazer com elas?/ Duvide delas!

Cecília Villanova, caminha, em “O homem e o objeto” pelo terreno do poema-processo. Insiste e brinca de modo sério com estas palavras do título de forma desmembrativa e real.

Por perceber que a poesia e irmã rebelde da filosofia, marginalmente diz: Tudo muda a cada instante./ A vida passa e permanece/ no outro/ bem próximo e distante./ In Tormento.

Na terceira parte do livro, a poetinha homenageia e agradece ao seus ancestrais pela genética e cultuação da poesia ao publicar um poema em mote e glosa dos avós materno e paterno.

Enfim, Cecília Villanova – Um armazém poético, provocará no leitor com a sua poesia o prazer pelo poeta, poema e embate razão-sentimento.

O livro trás a sublimidade que remexerá os sentidos e a inteligência do leitor.

Está aí mais uma poeta independente de geração ( nada contra as gerações ). Atemporal e universal.

Torço para que sua verve poética ultrapasse a piscina-escoto do Capibaribe.
Cecília Villanova, parece dizer: “— Só a poesia me serve.”

Fred. Caminha – poeta

domingo, 13 de maio de 2012

À MESTRA, COM CARINHO!

18 de maio de 2010, Jorge sai da FUNASA após cumprir medida sócio-educativa durante três anos, acusado de latrocínio.

Sai a gritar: - Sou inocente, sou inocente!

Uma multidão o espera do lado de fora com muita fúria. Policiais atiram para cima e o coloca depressa dentro do carro.

Aos 21 anos, comete outro crime e vai para o COTEL.

Primeiro dia de aula de Jorge. Aos oito anos segue sozinho para a escola, chinelos nos pés, bolsa e barriga vazias. Ao chegar no portão uma mulher lhe sorrir dizendo:

- Seja bem-vindo, sou Simone professora da primeira série. Qual seu nome?

– Jorge.

A cena congela. Os dois se olham dentro dos olhos por dois segundos.

- Deixe-me ver a minha lista de alunos... Diga seu sobrenome.

– Sobrenome?

– Sim, após o primeiro nome vem um segundo, um terceiro...

– Ah!... entendi. Batista, Jorge Batista. Minha mãe que escolheu.

– Muito bem, Jorge Batista, você é da minha turma, seu nome consta em minha lista.

De repente toca, avisando o começo da aula.

– Vamos lá?

Jorge, enche os olhos de lágrimas. Uma lágrima rola sobre seu rosto e ele a enxuga disfarçadamente. Sente saudade de sua mãe que foi trabalhar catando latinhas, para o sustento seu e de seus três irmãos.

Vai andando lentamente pelo corredor de mãos dadas a sua professora, enquanto observa a agitação dos seus novos colegas. Entra na sala e senta-se na última cadeira da terceira fila. A professora cumprimenta os alunos com um bom dia e escreve seu nome no quadro. Jorge parece encantar-se com aquela letra.

A aula corre solta... Crianças a balbuciar sem parar e Jorge entra na “curtição“. Fica difícil para Simone conseguir, de fato, que tudo transcorra normalmente.

Toca. É hora de cada um seguir seu destino.

Jorge, pergunta para Simone: - Você mora perto, professora?

– Não Jorge. Pegarei dois ônibus: um para o terminal e depois mais outro.

– E você?

– Vou andando mesmo “tia”.

– Então até amanhã, Jorge!

– Não sei se amanhã vai dar pra vir! (falando alto e correndo).

Passa uma semana e Jorge não comparece às aulas.

Simone pergunta à turma: - Alguém aqui mora próximo ao Jorge?

Uma menina responde: - Sim professora, eu sou vizinha dele.

Simone: - O que houve? Por que ele não vem?

– Tá ajudando a mãe a catar latinhas, professora.

Simone baixa a cabeça e fica entristecida, pensa ter perdido mais um aluno para o sistema.

Os dias passam, as aulas continuam...

Hoje, quinta-feira, Jorge finalmente comparece a escola.

– Bom dia Jorge! Senti sua falta.

Ele entra na sala e coloca sobre a lousa da professora uma papoula que colhera pelo caminho e um poema intitulado “À mestra, com carinho!” Que copiara na biblioteca da escola.

Simone lhe sorri: - Obrigada Jorge, guardarei com carinho entre meus outros tantos bilhetinhos. Jorge fica “corado”.

A aula seguia e Jorge se encantava com a voz e o carisma da sua professora. Depois da sua mãe era ela quem habitava o seu eu.

Jorge aprendeu a ler e a escrever, mas parou por ali, no segundo ano do fundamental.Nunca, em momento algum, esquecera aquela que lhe fez enxergar um pouco mais o mundo. E a levava no coração como um bem maior.

Jorge cresceu e começou a roubar. Decidiu entrar no mundo do crime, cair no mundão, a traficar e usar drogas.

Simone, continuou professora, até que se aposentou.

A vida passava e cada um tinha tomado seu destino.

Todos os dias na vida de Jorge eram malditos. Já Simone, curtia sua aposentadoria da forma que melhor podia, com seu humilde salário. Gostava de ir ao cinema, teatro,viajar...

Manhã de segunda-feira, Jorge levanta-se do chão debaixo do viaduto ainda cambaleante , já não aguenta ouvir tantas buzinas em seu ouvido.

Simone recebe a ligação de uma amiga que lhe diz ter dois convites para um concerto de piano.Combinam horário em frente ao teatro. Simone se abre com a amiga e diz está recebendo ligações do seu ex-marido que a ameaça de morte.

Chega a tarde, Simone se apronta e sai para o concerto ao encontro da amiga.

16:30h, sua amiga a espera em frente ao teatro. O concerto começará às 17:00h.

Simone desce do ônibus e sai andando apressadamente.

De repente, alguém puxa sua bolsa.

Simone grita desesperada: - Socorro, socorro!

Recebe um tiro no tórax, cai ao chão e leva mais um em sua cabeça, como ponto final. Logo se aglomeram pessoas em volta ao corpo.

Sua amiga, que a espera, olha o relógio e diz: - É, Simone, o concerto pra você fica pra depois, vou entrar depois te ligo.

O crime foi filmado pelas câmeras, e após uma hora o autor é preso e levado à delegacia.

O delegado lhe pergunta: - Seu nome?

- Meu nome é Jorge.

- De quê?

- Jorge Batista.


(UM CONTO DE CECÍLIA VILLANOVA)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

SEVERINA, QUANTA ESTIMA!

Acabara de alugar um imóvel nos fundos do quintal de outra casa. Na verdade, um cubículo onde lhe cabia com seus poucos troços. Godofredo, com seus 51 anos, careca e com uma barriga pra lá de simpática, era um solteirão convicto e trabalhador. Durante cinco dias da semana batia seu ponto regularmente e o era fiel ao seu patrão, que sempre lhe colocava em destaque por atingir metas surpreendentes no trabalho. Assim era sua vida: de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Sem muito lazer. Ele se contentava em atingir metas e alcançar destaque.

Porém, Godofredo tinha muito prazer em fazer comidinhas no final de semana e de deliciá-las em frente a TV. Seus pratos preferidos eram os com tomates, já que tinha visto na televisão que o tomate seria um bom aliado contra o câncer de próstata. Godofredo, então, fartava-se de massas, com bastante molho de tomate, tomates crus ao molho de tomate...

Até que um dia ele descobriu que não morava sozinho, foi quando avistou da sua cozinha, que dava para seu humilde quintal, uma lagartixa que vislumbrou e passou a chamá-la de Severina. E começou a pensar que ela também poderia gostar de tomates. Foi então que sacudiu um pedacinho e gritou: - Severina, venha pegar!

Severina parecia entender e ia depressa comer aqueles pedacinhos de tomates atirados com tanto carinho. Até que tornou um hábito de Godofredo, todos os dias alimentar Severina com pequenos pedaços de tomates. Ele a tinha como grande companhia!...

Um dia, de domingo por sinal, após uma semana de muito trabalho, chega mais um final de semana, onde Godofredo poderá fartar-se com suas massas banhadas ao molho de tomate. Passava um pouco mais de das 23:00h do domingo, já era hora de ir para cama, após fartar-se com tomates e alimentar Severina.

Chega o alvorecer da segunda-feira... Godofredo levanta-se com seu reloginho biológico e vai até a cozinha beber um pouco de água, quando depara-se com uma mulher na sua cozinha, ou melhor, a beira do seu fogão cozinhando um molho de tomate regado a muito orégano.

Sem titubiar, dá um gole na água e joga o restante em seu rosto. Ele não acredita no que vê! Pensa ainda estar dormindo. Mas, logo percebe que não. Porque aquela mulher lhe sorri e diz: - Bom dia Godofredo, sou sua Severina!

Godofredo: - Não, não, não é possível!... Saia já daqui! Assustado e com muito medo. O que quer de mim? ”Sou apenas um latino americano, sem dinheiro no banco...”

Severina: - Calma Godô!_ carinhosamente_ vim fazer nossas panquecas regadas ao molho de tomate para você saboreá-las comigo em seu horário de almoço.

Godofredo: - Você só pode ser uma assombração ou coisa parecida! Recorre à vassoura, expulsando Severina de cima da frigideira, que logo salta de volta para o quintal. Godofredo se vê apavorado e percebe que quase machuca a pobre e tão estimada Severina. Rapidamente vai para o quarto, senta-se diante o espelho: -Sou um covarde, serei sempre um covarde!...Caindo aos prantos, batendo em seu rosto, a se autoflagelar.

Estaria Godofredo alucinado por comer tantos tomates???...Pouquíssimo provável, já que o tomate não contém nenhum alucinógeno em sua composição.

Ele precisava mesmo de uma companhia humana, seu cérebro acabara de lhe avisar.

E haja tamanha imaginação para um homem solteiro! (Ahahahahahahahahahahahahahaha!...)


(UM CONTO DE CECÍLIA VILLANOVA)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PARA REPENSAR O NATAL...




"TRECHO DE UMA CARTA AO MEU VELHO PAI"


“... e que mundão papai. Que gente fria e que velocidade existe aqui na cidade deles.
Que diferença de nossa terrinha, que diferença do amor todinho que tem pelas bandas daí.

Imagine o senhor o que me pediram prá escrever agora. Parece até brincadeira deles pedir para alguém assim como eu, sua filha, cheia de saudades e de vontade de ser novamente parte da natureza e não um pedaço dela – uma mensagem de Natal. Que acha o Senhor?

Tive vontade de mandá-los praquele canto que o senhor tão bem conhece e até cheguei a pensar um nome feio, bem feio, pra responder ao pedido, que considero um insulto.

Como papai? Como alguém pode pensar em Natal com zuada de ônibus, com guerras cheias de sangue, com meninos nus e chorando de fome, com homens sem poder levar um brinquedo ou um bolo pra seus filhos?

“CADÊ A TUA BONECA
TUA BONECA ENFEITADA
TUA BONECA DE RENDA
TUA BONECA RENDADA
TUA BONECA DE SONHO
TUA BONECA SONHADA?”


Foi o senhor mesmo quem nos ensinou a sentir o Natal com o coração cheio de amor, com os olhos sorrindo de contentamento, com a tranquilidade dos felizes e com um vestido novo que mamãe mesmo fazia.

Ainda hoje vocês continuam fazendo isso pelas bandas daí. E como eu tenho inveja de saber que o carrocel, o meu carrocel dos tempos de menina, roda a noite toda com outras crianças e não comigo, que minhas canoas que iam e vinha, a burrica a sombrinha, as barracas e as quermesses da Igreja ainda estão no mesmo lugar.

E MARIA BARRETO papai, como vai a MARIA BARRETO que trazia para o senhor toda uma série de sua quermesse, a MARIA BARRETO que vem há anos subindo e descendo as ruas de Canhotinho avisando que vai correr mais uma série. E os prêmios, o senhor lembra? Um queijo, uma caçarola, um penico (todos penduradinhos como que se oferecendo pra nós) e para as crianças de Canhotinho daquele tempo: Uma boneca.

“CADÊ A TUA BONECA
DE SAPATINHOS, VESTIDA?
TUA BONECA QUE CHORA
TUA BONECA QUERIDA
TUA BONECA QUE VIVE
VIVENDO NA TUA VIDA?”


E a árvore de Natal de nossa casa, toda enfeitada de bolinhas multicores e a Lapinha da Igreja onde íamos visitar Nosso Senhor? E o pastoril, e o meu cordão VERMELHO, por quem tanto gritei?

A paz que existia em cada um de nós gente pobre de dinheiro, mas rica de bem aventurança, milionária de amor e de humildade para com o próximo.

Posso papai, pensar em um Natal perfeito aqui na terra deles? Posso pensar em um Natal apenas de uma Noite, um Natal onde as pessoas não se amam, onde as crianças não correm em carrocel e onde os namorados não dançam nos bailes improvisados?

Sabe papai, acho que vou dizer pra eles que não vou escrever coisa alguma, acho que vou dizer pra eles que o Natal não se imagina, não se cria. Ele está e existe, como nós bem sabemos, dentro de cada um de nós, dentro de cada criança que vive sua vida sonhando, como o senhor bem disse em seus versos:

“CADÊ A TUA BONECA
COM QUEM TU BRINCAS DORMINDO
TUA BONECA ENCANTADA
QUE VIVE SEMPRE SORRINDO
TUA BONECA QUE CHEGA
SÓ QUANDO TUA VAIS SAINDO?”


Sei papai, sei que o senhor está do meu lado, sei que seu pensamento é igualzinho ao meu. O Natal para nós não é apenas um presente a mais, não é a ilusão que se bata nas cucas das crianças abastadas – o Papai Noel, não são as pessoas, não são os bolos e tantas coisas sem valor espiritual que se compram com o dinheiro.

Não sei qual será a reação deles papai, mas vou mandá-los ler essa poesia sua que desde o começo falo e que termina tão cruelmente para as crianças sonhadores de nosso mundo:

“TUA VIDA É A BONECA
QUE PAPAI NOEL NÃO TRAZ,
QUANDO ESSE SONHO MORRER
O TEMPO OUTRO SONHO TRAZ
ESQUECE A TUA BONECA
ELA NÃO VEM... NUNCA MAIS!”


Esse verso seu papai, é igualzinho a mim, não em busca da boneca – que já enjoei – mas certa de que minha vida vai ser uma eterna ilusão de um Natal daqueles. Uma eterna espera de que o Papai Noel daqui – para mim um mentiroso, um falso – traga novamente aquelas noites de algazarra, aquelas noites de amor e contentamento pelas ruas ainda pequenas de minha terra – nosso mundo. Quero ainda aquelas bandeirinhas sobre nossas cabeças e exijo que sejam de papel, e que se rasguem na passagem do ano novo e quero nossa bandinha tocando mais um dobrado para nos saudar.

Se não me for possível ir pra CANHOTINHO papai, o meu Natal vai ser igualzinho ao do ano passado – Frio, chato!

Como o de muita gente daqui da cidade grande...”


Nailze Villanova, Salvador, 12.01.1973

Carta escrita por minha mãe(Nailze Villanova)para meu avô(Otávio Villa Nova), publicada no livro "ANTES QUE EU ESQUEÇA"